O Luís e o José António estiveram connosco e enquanto estiveram connosco transformaram as nossas vidas e formaram o Departamento de Oceanografia e Pescas da Universidade dos Açores.

José António, nascido e criado na ilha do Pico trabalhou no DOP desde 1980, com um interregno de alguns anos enquanto viveu no Canadá.

Conhecemo-nos há quase vinte anos.

Com ele dei os meus primeiros mergulhos subaquáticos. Corremos as costas do Pico, de São Jorge e do Faial. Mergulhámos juntos na ilha da Madeira.

O José António era um homem bom e dedicado. Um homem de devoção e de confiança.

Um trabalhador devotado à organização contabilística e administrativa dos projectos de investigação, era um elemento pilar no sucesso científico da instituição que servia. Sobre si carregou a mais pesada responsabilidade, aliviando assim as nossas tarefas de investigação.

O José António é, sem exagero, insubstituível. Arcando com as responsabilidades tornou a nossa vida mais leve.

O Luís era também um homem bom, firme de ideias e de princípios.

Um cientista devotado, de uma inteligência fina. Um alquimista que transformou rotinas em grandes ideias.

O Luís era um descobridor nato e inventivo, um investigador simplesmente brilhante.

Um homem de rigor científico e ideais, que não pactuava com a mediocridade e interesses estabelecidos.

Com o desaparecimento do José António e do Luís o DOP ficou mais pobre, profundamente abalado nos seus alicerces.

Iremos enfrentar tempos muito difíceis agora que perdemos estes dois amigos que sustentavam o nosso percurso e o nosso futuro.

O trágico desaparecimento destes dois amigos e colegas deixaram-nos no meio de uma grande contradição.

Deixaram-nos o legado do seu trabalho riquíssimo, que teremos dificuldade em continuar e preencher.

Foram dois homens de que só temos boas recordações. Estamos mais tristes porque nos deixaram, mas estamos mais ricos porque tivémos o privilégio de os conhecer e amar.

Perdemos dois amigos que ainda tinham muito para dar. Dois homens que sabiam o que faziam e que faziam o que gostavam, por isso foram felizes.

Asseguro-vos, foi compensador conviver com eles.

Por tudo o que foram e por tudo o que fizeram o José António e o Luís continuam connosco, não apenas como recordações, mas como presenças reais nas obras que a eles sobreviverão continuando a marcar-nos e a influenciar-nos.

Porque os conhecemos ficámos mais ricos.

 
     
 
O Director do DOP