Homenagem ao Prof. Dr. Frederico Machado
(In: Açoreano Oriental de 18/01/2000)

Esta homenagem coube ao prof. doutor Frederico Machado, pela sua vida científica dedicada à vulcanologia". Foram as primeiras palavras do presidente da direcção da colectividade, dr. Miguel Loureiro "Vem a Casa dos Açores, a distinguir um açoriano que justifique, tal distinção.

Esta homenagem coube ao prof. doutor Frederico Machado, pela sua vida científica dedicada à vulcanologia". Foram as primeiras palavras do presidente da direcção da colectividade, dr. Miguel Loureiro, passando a palavra ao colaborador da "RTP/A" professor Fernando Melo, que após realçar o valor científico do homenageado, um homem de saber, com grande especialidade geológica aplicada aos Açores, sublinharia o marco histórico que Frederico Machado representa para o vulcanismo, com os seus trabalhos resultantes da observação directa que efectuou ao desenrolar da crise que levou à erupção do Vulcão dos Capelinhos.

O filme "Vulcão dos Capelinhos" disponibilizado pela "RTP/Açores", assim como o grupo técnico, com depoimentos, entre outros do homenageado e o vulcanólogo Victor Hugo Forjaz, foi exibido, o qual descreve o vulcão que veio do mar, mostrando em imagens, algumas de grande beleza e emotividade,a mais recente erupção vulcânica à superfície registada nos Açores, já que a do vulcão submarino da Serrêta tem outras características.

Coube depois ao professor doutor Henrique Barreiros debruçar-se sobre a vida e obra do cientista, nascido 24 de Maio de 1918 na ilha do Faial.

Henrique Barreiros, após traçar a vida académica de Frederico Machado, na Horta, onde lançou um quinzenário em 1946/47, assim como as 48 publicações do homenageado, recordaria os adiantados estudos do vulcanologista, publicados em várias revistas nacionais e estrangeiras.

Frederico Machado foi o primeiro doutorado em engenharia civil pelo Instituto Superior Técnico, recordou o orador ao focar o currículo do homenageado, admitido em diversas sociedades cientificas portuguesas e estrangeiras.

Frederico Machado, que leccionou nos Açores física e matemática, durante a erupção do Vulcão dos Capelinhos teve o mérito de acalmar muitas pessoas que se encontravam francamente agitadas com a situação, tendo Henrique Barreiros citado vários depoimentos dessa gente simples.

"Conheço o professor doutor Frederico Machado desde miúdo. Marcou a minha vida em 1963/64 quando da crise de S. Jorge", começou por dizer o prof. doutor Victor Hugo Forjaz,outro faialense de reconhecida autoridade em vulcanologia. A dada altura da sua intervenção, Victor Hugo Forjaz recordou que quando em missão científica se encontrava no Japão, ali, altas personalidades ligadas à ciência lhe disseram: "Frederico Machado é aqui muito conhecido. É um pioneiro vulcanologista de dimensão internacional".

Hugo Forjaz concluiria a sua alocução projectando variadas películas alusivas à evolução da geologia portuguesa, da autoria do homenageado.

Depois, o primeiro reitor da Universidade dos Açores, professor doutor José Enes, que foi quem contratou temporariamente Frederico Machado como investigador, para ingressar naquela Universidade, referiu-se ao currículo do vulcanologista e estatuto de investigador, bem como à colaboração de Frederico Machado à Universidade dos Açores, manifestando publicamente o seu reconhecimento.

Das muitas mensagens recebidas em homenagem a Frederico Machado, destacamos: Universidade dos Açores, assinada pelo Reitor prof. doutor Vasco Garcia; Governo Regional do Açores, assinada por Carlos César; Padre Júlio da Rosa, Núcleo Cultural da Horta; Associação dos Antigos Alunos da Horta; eng.º Fernando do Nascimento; eng.º João Nascimento; dr. António Sanches Franco; dr. Linhares de Andrade; Norberto Fraião e do Provedor da Santa Casa da Misericórdia da Horta, Eduardo Caetano de Sousa.

Miguel Loureiro, em nome da Casa dos Açores, ofereceu ao vulcanólogo uma medalha expressamente cunhada para o efeito.

Encerrou a sessão o homenageado, que em breves palavras diria: "Tenho estudado os vulcões dos Açores há mais de cinquenta anos. Quanto a resultados não têm sido muito espectaculares, e após explicar com números de natureza científica as possibilidades de uma previsão, acentuaria que, em sua opinião, à volta do ano 2002 é de esperar a ocorrência de uma erupção de certa intensidade, precisando, "a possibilidade, é como disse de cerca de 75%. Até agora e neste século só houve duas erupções vulcânicas: a primeira em 1995, em águas profundas, e a segunda no banco D. João de Castro em 1978".

A concluir, o prof.dr. Frederico Machado disse, "com alguma prudência deveremos certamente continuar a apreciar a linda paisagem vulcânica".